1 de junho de 2012

As Três Mosqueteiras (O Verão da minha infância)

Créditos: colourbox.com

Para ser sincera, não houve apenas um. Verão sempre significou férias e férias, primos. E a espera ansiosa pelo dia em que todos chegariam. E as idas até a calçada, olhando o fim da rua, esperando o carro virar a esquina. 
A maior parte do tempo éramos só nós meninas, as três mosqueteiras. Correndo pelo jardim nos fins de tarde, vivendo aventuras, mudando de nome às vezes, sendo tão valentes quanto gostaríamos de ser, tão bonitas ou descolada quanto queríamos. Criando tudo da cabeça, íamos a qualquer lugar, e o que uma imaginava era a realidade de todas com tanta facilidade como se realmente fosse verdade. 
Toda a agitação do verão traz também alguma confusão mental, e não vou mentir. Eu tinha meus momentos, todas nós, em que não queríamos estar juntas, em que a vez era dos outros primos. Ou as vezes em que nossos pais influenciavam nossas vontades. No fim, por mais que reclamássemos, a companhia que tínhamos umas das outras era o mais precioso de nossas férias e são das nossas brincadeiras que me lembro quando penso nos verões da minha infância.

31 de maio de 2012

Flor de maio


Começou ontem, com aquela brisa quente, sol escaldante, aquele horário depois do almoço que sempre parece mais tarde do que já é, como todas as horas do dia nessa cidade. Um calor anormal para a época do ano. Contrastando com o frio, esse ar morno que vem me lembra aqueles tempos... É, eu sinto a mesma coisa por um momento, a mesma sensação de descoberta, de novidade, de imprevistos bons, um frio na barriga. Fico surpresa ao me pegar nessa sensação familiar. Como pode? Explorando todos esse porquês sem entender nada do que se passa comigo, só sei que ao chegar no topo da subida, tenho que me virar para trás para confirmar, e não me engano: todo um bairro vira mar, e sobre ele paira um horizonte esbranquiçado. Eles se beijam no infinito lá em baixo. E um segundo depois, tudo é o que apenas é e pronto, a miragem se desfaz. E eu me viro seguindo para o meu destino. E só consigo pensar que com todo esse calor e horizonte, parece setembro. E a ligação que sempre existiu entre esses meses se projeta nessa brincadeira muda com lembranças, sentimentos e sentidos. Desde há muito tempo, porém, eu já tinha uma flor de maio que florescia em setembro. Por que não haveria, então, uma flor de setembro que floresce em maio?
O fato é que todo esse clima fora do tempo me confunde. Eu, que sempre me apoei nos meses e seus aspectos, fico um pouco sem referências. Mas já que é assim, aproveito essa chegada do calor para pensar sobre isso. E com prazer anuncio oficialmente que estou participando do desafio As Amantes do Verão, organizados pelos blogs da Turista Acidental e da Scarlet Red. Eu sei que no Brasil estaremos nos preparando para a chegada do querido inverno. Mas acho que o verão merece uma chance. Seria bom um pouco de ar quente para aquecer os corações.

27 de maio de 2012

Maio(s)

Escuto a música vindo baixinho do meu quarto. Contida. Assim estou. Essa mesma música é retrato de janeiro ensolarado e quente, tempos de recuperação e fantasias. Logo em seguida fevereiro, com seus ares agitados, rotina pesada que chega. Março com águas que levaram minha alegria, lavaram meus olhos e um pedaço dessa triste realidade ficou exposta e crua para mim. Desde então não sou mais a mesma. Preferia não ter recebido esse “presente”, eu acho. Abril passou mudo e maio já está se dirigindo para a porta de saída. Mas antes que isso aconteça e mais uma página do calendário vá para o lixo, gostaria de dizer que nem sempre foi assim.
Nos últimos dias, uma inquietude se apossou de mim. A vontade de ler Desculpa se te chamo de amor é tamanha que vejo toda a poesia e romance do livro em qualquer coisa que olho. Todos falam, todos percebem, e mesmo assim isso não me traz o que mais anseio. Penso que esse desejo repentino pelo livro tenha explicações que vão além do simples fato de eu ter gostado da leitura (como boa psicóloga tenho que procurar razões para as coisas, claro). Foi abril, do jeito que o céu estava azul era abril mesmo. Porque é assim que tenho esse mês na memória: azul. E todo o romance e surpresas do livro, e a simultaneidade também. Como o mar que se agita e depois se acalma, lembro-me de ficar chateada com alguns momentos do livro em que a estabilidade era tanta que chegava a ficar chato, e parecia que nunca ia mudar. Coitada de mim, à época nem percebia que isso também faz parte de uma relação, de um amor, e esse é o verdadeiro sentido do farol: o sentimento também guia nesses momentos cotidianos e naqueles em que parece que não há saída também. Mas eu só conseguia ver intertextualidade com a minha vida, e sonhar, e ligar os pontos de um desenho sem forma para os outros, com sentido só para mim.
E a verdade é que adentrei maio lendo esse livro, ele me acompanhou pelo o que pareceu uma eternidade naquele mês em que o frio chegava enquanto as paredes eram pintadas de amarelo e a janela de azul. Aquela reforma foi divertida como todas as outras quando eu era criança. Ah, como sinto falta da minha casa, e daquelas páginas, e das tardes de sol, e soneca, e ansiedade pela festa, e noites sem fim à luz da tela. Eu era tão feliz sonhando, chamando de amor, sem pedir desculpas.
E a verdade é bem essa da leitura do livro: abril e maio sempre me pareceram um, distintos de alguma forma, mas nas lembranças cheios de momentos que se intercalam. Grandes intervalos de tempo em que reina um céu de azul muito intenso e sol morno, quase um abraço. É quando as neblinas começam anunciando dias deslumbrantes. Naquele ano, esses meses ficaram marcados para mim, definiram-se como o que sempre foram... E agora, quando tudo parece tão apático, queria resgatar esses dias de cor. Mas parece que ainda estão muito presos na memória...


23 de maio de 2012

Sobre lobos

Um velho índio diz ao neto:
- Dentro de cada homem existe uma luta constante, muito parecida com a luta entre dois lobos. Um lobo é mau – a inveja, o egoísmo, inveja, ambição, mentiras… O outro lobo é bom – paz, amor, esperança, verdade, bondade, fidelidade…
O pequeno índio fica em silêncio por alguns instantes pensando, e em seguida pergunta:
- E qual é o lobo que vence esta luta?
O velho índio sorrindo diz:
- Sempre ganha aquele lobo ao qual você alimenta.



Já li essa mesma história em várias versões, com animais diferentes... O importante é a mensagem que passa. É a mesma questão da resiliência e depois que li (já faz algum tempo) mudei um pouco meu modo de encarar as coisas, justamente para alimentar o lobo que eu acho mais apropriado. Pena que a amiga que me mandou esse texto não aprende com a lição que me ensinou, ou não quer aprender...

20 de maio de 2012

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É, as coisas já tiveram mais graça por aqui, por ali... Em todo o lugar. @luanapraado